In_Verso

A intenção dessa página é escoar uma parte de minha criação que sempre ficou “em casa”. O primeiro texto que escrevi em verso foi em 1990 ou 91… de lá pra cá produzí muita coisa escrita. A maioria “joguei fora” (tá tudo bem escondido, vale como recordação) geralmente porque considero muito bobo, ingênuo ou sei lá o quê, “literariamente falando”. Hoje escrevo melhor um pouco. Abaixo tem textos recentes, e coisas de uns 15 anos pra cá. Não vou saber dizer quando escrevi a maioria das coisas. Pra quem chegou até aqui e quiser continuar, boa leitura. Espero que “ilumine” de alguma maneira… ou pelo menos propicie um pouco de diversão.

Poeto

 -

Poeto

por poetar.

 -

Pela necessidade inútil.

Inerte.

Vã.

 -

Pra comer.

-

Poeto

por poetar.

-

Pra dar

mais um

passo.

 -

Pra dormir.

 -

Poeto

pra viver mais.

 -

Pra ver o arco-íris.

-

Pra sobreviver mais um dia.

-

Poeto pelo que é doce

e se acaba.

Como o sonho.

Aquele e o da padaria.

 -

Enfim,

poeto

por poetar.

-

Então,

que esteja

poetado.

*******************************

Frágil.

Mais que só na etiqueta,

no adesivo colado

na testa.

-

Mais que um rótulo.

Frágil,

mais que só

na caixa.

Mais que de louça.

-

Mais que uma flor

de jasmim.

Que qualquer pétala

de qualquer cor.

Mais que a linha do Equador.

-

Delicado.

Mais que qualquer

Equilíbrio.

Que qualquer

pindaíba.

Seja essa

qual essa seja.

-

Mais que qualquer barraco

no alto de qualquer

buraco.

Que qualquer balsa,

qualquer alça

ou qualquer taça.

-

Mais que delicado.

Mais que trêmulo

ou quebradiço.

Mais que frágil,

volátil ou fronteiriço.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Gosto
de poesia
assim.

-

Versos
curtos.
Versos-palavra.

-

Como
poesia
deve ser.

-

Mais
insinuar
que dizer.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Esse Homem

-

Esse homem,

terra seca onde

palavras brotam rarefeitas,

me ensinou a ver.

-

Esse homem,

que me é tão

caro e duro abraçar,

me ensinou a ser

-

esse homem.

Minha torre

e fundação.

Meu pai.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Bailarina

-

Abrem-se

as cortinas.

O espetáculo

inicia-se …

dentro de mim.

-

Giram,

saltam,

correm

de lá

pra cá

sensações multicores.

Emoções inéditas

iluminam-se.

-

Baila,

linda.

Descobre

a beleza.

-

Baila,

ainda,

pra eu viver

a leveza.

-

Bailarina,

dança na

minha rima.

Gira na

minha lira.

Faz palco

meu coração.

-

Bailarina,

como bailas

se não

pisas

no chão?

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Caio e Iasmim

-

Foi eterno.

Infinito.

Foi mar.

E céu.

-

Tinha estrelas.

Luas.

Quase sempre

tempo bom.

-

Foram fogo.

Brasa ardia

e os fundia.

Foram um.

-

Seriam mais.

Batia à porta

daquele futuro,

a felicidade.

-

Seguiam caminhos

que, quase paralelos,

permitia-lhes

as mãos dadas.

-

E tinham sonhos.

Caio e Iasmin.

Era só o tempo.

Só o tempo.

-

Mas certo dia,

as mãos.

Elas não mais se alcançavam.

Houve esse dia.

-

Em que a vida os invadiu.

Lágrimas rolaram.

E era só a vida.

A vida.

-

Nua.

Crua.

Dura.

E linda.

-

pra como nunca

ser vivida

como sempre

-

Trens na estação.

Mas há outras.

Por isso eles existem.

Os trilhos.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Cabana

-

A madrugada é a cabana

que me abriga.

E não me deixa tão só.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Pantera

-

Como inveja a noite

a tua negreza,

quando vem a lua

tua beleza iluminar.

-

Felinda.

És força e leveza.

Altivez.

Simpleza.

-

Negra gata,

nas garras de tua

etérea lindeza

meu tolo olhar aprisionas.

-

Como presa,

estático estou.

Meu coração devoraste.

E nem saberia.

-

Como tantos corações outros

que às margens de sua trilha

rendidos desfalecem.

Absurda felinês.

-

Como inveja a noite

a tua negreza.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Erótico

-

Tomo

suas coxas

em minhas mãos.

Seus seios.

Sua bunda

em minhas mãos.

-

Tomo

seu suor.

Sua saliva.

Tomo

seu ar.

-

Me arrepio

com seus arrepios.

E puxo seus cabelos,

pegando justo,

na nuca

cheia de beijos.

-

Que caem

pelo meu peito.

Pelos braços.

Pêlos.

(Ah,

me afoga logo

de beijos!)

-

E suspiro,

ao correr

a língua,

ao roçar

a barba,

com seus

suspiros.

-

Com seus gemidos.

Com a contração

de seus músculos.

Tomo

fôlego.

-

Nesse momento

eu quero ser,

somente,

um instrumento.

-

Como um clarinete,

uma flauta,

um sax.

-

Um simples

instrumento.

Que tem

como fim,

unicamente,

prazer.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Gotas de Orvalho na Madrugada

-

Madrugada nua.

Como todo nu.

Óbvio.

Sem rota de fuga

ou plano B.

-

Madrugada nua.

Nua e clara.

Como o sol

chegando no próximo trem.

Dilacerando.

-

Quero sentir a dor dessa manhã”

-

Madrugada nua.

Nua e preta.

Pretinha…

Encharcando minha noite.

Povoando minha alma.

Acendendo-me

de novo.

-

Madrugada nua.

Nua e doce.

Seu gosto na boca.

Na pele.

E cheiro de terra molhada.

-

Madrugada nua.

Nua e fria.

E só.

Isso…

só.

-

(Ahhh…

Seus dentes no meu pescoço….

se alimentando…

meu sangue?

Minha alma?

Sou madrugada também.

Agora.)

* * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Minha Vida

-

Minha arte

é sangue.

É o tempo

sangrando.

-

Meu sangue

é vida.

É o tempo

correndo.

-

Minha vida

é impar.

É o tempo.

Meu tempo.

-

Meu tempo

é pérola.

É arte

brotando.

-

Meu sangue.

Ímpar.

Minha arte.

Vida

-

Meu tempo.

Pérola.

Minha vida.

Arte.

-

Corre.

Sangra.

Brota.

Catalisa.

-

Minha arte.

Pérola do tempo

concebida em

minhas artérias.

-

Como um parto.

Instintivo.

Natural.

Nada além de vida.

-

Meu sangue.

Minha arte.

Meu tempo.

Minha vida.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Quando você chegou

-

Quando você chegou,

desse jeito tão seu de chegar,

nem na porta bateu.

Nem licença pediu.

-

Quando você chegou,

foi desse jeito tão seu de chegar.

E preencher espaços

e completar lacunas.

-

E chegou menina.

Brincando.

(êita menina levada)

Desse jeito tão seu de chegar.

-

E chegou moleca.

Sorrindo.

(essa bandeira estampada no rosto)

Desse jeito tão seu de chegar.

-

Chegou fazendo festa.

Com brigadeiro e guaraná.

Desse jeito tão seu de chegar.

-

Chegou e pôs um dedo no meu coração.

No outro dia, a mão.

E veio de mudança então.

-

Desse jeito tão seu de chegar.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Contigo

-

Contigo,

da minha vida

se foi bocado.

Metros de poesia.

-

Tu me levastes livros.

Discos me roubaste.

E só tua presença

me tiraste.

-

De minha arte,

só metade

de minha música

deixaste.

-

Nos teus pés,

notas levaste.

E rima e metáforas

no balançar dos teus cabelos.

-

Tuas mãos

e abraços…

Cicatrizes no meu corpo.

Nesse papel.

-

Metade de mim

foi no mundo semeada

pela explosão

do teu partir.

-

E, a cada dia,

singelo fruto colho.

E, a cada dia,

como canção componho

a minha metade que

em teu seio um dia levaste.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Na Mala Postal

-

Te mando minha poesia secreta.

Discreta.

Concreta.

-

Te mando meu amor, minha loucura.

Meu louvor.

Minha ternura.

-

Te mando meu bouquet de rosas.

Minhas rosas.

Não são rasas.

-

Te mando o mundo.

Meu mundo.

Quase mudo.

-

Mas meu.

E agora seu.

Também.

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Sou
poeta
amador
de versos
diversos

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

Arte

De onde estou vejo o mar.

Dia de sol.

Verão.

Permitindo essa pintura.

-

Vejo o mar

da Ladeira do Marback.

Sol, luz.

O que mais importa?

-

O que mais importa?

Vejo o mar e o céu.

Azul.

E como é imenso o azul.

-

Paro.

Me rendo.

De joelhos, contemplo.

Ali, exposto, está meu Deus.

-

E que ousadia a minha, meu Deus.

Ante tanta magnitude,

tanta poesia,

como posso dizer que faço arte?

-

Contemplo “Deus”

da Ladeira do Marback

* * * * * * * * * * * * * * * * * * * * * *

2 respostas

11 10 2011
Itamar Mascarenhas espinheira

Algumas eu ja conhecia outras li hoje e cada dia percebo algo novo em vc que não conhecia.
Se eh que algum dia o conheci…

11 10 2011
alespinheira

Ih, mamãe… tem coisa em mim que nem eu conheço… hehehe

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