Ensinar…

fazendo Tirocínio Docente. Essa expressão que a muitos, inclusive a mim, parece estar inclusa no Código Penal Brasileiro é uma atividade obrigatória do Mestrado e pode ser “traduzida” por uma palavra muito mais usual no cotidiano da população: estágio. No final das contas estou dando aulas na graduação da Escola de música da UFBA. O processo ocorre da seguinte maneira: assumimos uma turma e somos orientados pelo professor titular da matéria, no meu caso o Prof. Dr. Pablo Sotuyo Blanco, uruguaio possuidor de um bom humor inteligente e ácido, e radicado na Bahia a diversos anos onde veio fazer seu doutorado. Geralmente a carga horária que é necessária aos tirocinístas pode ser cumprida em um único semestre e usualmente é o que ocorre, apesar de não existirem ainda regras claras para essa atividade. No meu caso, ao iniciarmos os entendimentos, Pablo propôs que eu acompanhasse todo o ano, pois trata-se de uma matéria anual, dividindo com ele as aulas, uma semana de cada um, sendo assim eu poderia ter uma idéia geral do curso do início ao fim. A matéria em questão é Instrumentação e Orquestração I. O que seria isso? Instrumentação é o estudo individual de cada instrumento, suas características principais, origem, modo de produção de som, etc, e Orquestração são as técnicas utilizadas para utilizá-los bem em conjunto, como soam cada combinação, como organizar planos e texturas orquestrais, etc. Um fato que contribuiu muito para o meu aprendizado foi que este também é o primeiro ano em que Pablo dá essa matéria, então pudemos fazer todo o cronograma de atividades, avaliações, etc, em parceria e isto me foi de grande valia.
Me considero um bom orquestrador, geralmente as coisas que escrevo soam bem e sempre fui elogiado por isso, mas quando se trata de passar para a turma, a coisa muda de figura e é nesse ponto que eu queria chegar. Talvez seja a falta de experiência em estar à frente de uma turma, e esta em particular com bons conhecimentos teóricos sobre o assunto, mas as aulas, principalmente as mais teóricas, são bastante complicadas. Além de tudo Pablo, com sua presença e bagagem enormes, geralmente domina o ambiente e eu só consigo dar a minha aula quando ele não está presente. Esse fato, apesar de parecer negativo, tem também sido bom para mim porque tenho aprendido bastante com a metodologia dele, mas me deixa meio inseguro pois não estou falando só para uma turma de alunos que, por mais que saibam, são muito menos experientes do que eu, mas também para Pablo. Creio que, apesar disso tudo, gozo de respeito e confiança da turma e do orientador.
Noto na turma que precisamos trabalhar mais alguns conceitos que não estão bem entendidos e que ficaram evidentes nos primeiros trabalhos práticos que foram passados. O principal deles é o significado do verbo “orquestrar”. Simplesmente, orquestrar é transcrever artisticamente uma obra escrita para um único instrumento com recursos polifônicos, inclusos aí os instrumentos de teclado (cravo, piano, marimba) e alguns intrumentos de cordas (violão, harpa), para um conjunto maior. O conceito parece simples, mas quais os limites entre uma orquestração criativa e um arranjo? Orquestrar Haynd e Schoënberg é a mesma coisa? E orquestrar uma peça própria? Todas essas perguntas tem respostas, mas elas geralmente são pouco objetivas e o bom-senso, em conjunto com a experiência e uma boa análise são as melhores respostas para elas.

One comment

  1. Salve, meu velho!Muito bacana esse post!Sucesso com seu blog! Passarei sempre por aqui!Grande abraço!

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