As heranças

É interessante como sempre fica uma herança depois de tocar com alguém. Fiz trabalhos variados durante meus 20 anos de música, sendo que 14 como profissional, e isso me deixou uma herança enorme. Comecei a tocar violão aos 14 anos por causa do tal do Legião Urbana. Tocava praticamente todas as músicas e tinha todos os LPs. Esse foi o começo. Devagarzinho fui entrando pelo Rock e sabia bastante coisa de rock nacional, as influências de adolescente. Gostava muito do U2 e do Pink Floyd também. Nessa época também o tal do Cabeça, amigo da melhor infância que pude ter, me chamou a atenção pra um cara que cantava meio esquisito mas tinha umas músicas bem legais, Belchior. Essa foi a primeira herança.

Depois que entrei no Instituto de Música da Católica, acho que em 92, conheci uma galera mui legal, Bubu, Tai e companhia, com os quais desenvolvi um trabalho bem eclético de MPB, Pop nacional e internacional e em alguns momentos necessários um pouco de axé. Aí recebo mais uma herança. Ficam pra mim o gosto por Caetano, Djavan, etc…

Seguindo o caminho, com os próprios e mais o amigo Beto, começamos uma banda de axé que, depois de algum tempo, recebeu o nome de Balaiada. Ali eu aprendi a tocar percussão, aprendi um pouco sobre produção, sempre ralando, durante uns 6 ou 7 anos. Essa foi mais uma herança. Também aprendi a gostar de Daniela, Ivete, Timbalada e o próprio Brown.

Durante esse meio tempo montamos uma banda de reggae aqui no condomínio. Os Bodes! Os meninos mostraram o que era Bob Marley pra quem só conhecia Woman no cry. Essa foi a grande herança! Bob Marley e Edson Gomes. Geralmente digo que não sou fã de reggae mas Bob é Foda…

Também nessa época, estou falando de 94, ingressei no curso de Composição e Regência da Ufba sem nem saber direito o que encontraria lá. PQP! Era um outro mundo. Música contemporânea!!! Fui bombardeado com Stockenhausen, Bartok, Boulez, Jamary, Agnaldo Ribeiro, Widmer, Stravinsky, Debussy, Ravel, Hindemith, Strauss, Lindenberg… Amei aquilo! Era tudo que eu precisava… E isso norteou a minha vida.

Também durante esse tempo, um pouco depois dos Bodes que durou uns 2 anos, fui chamado pra montar um trabalho que se denominava Zefirino Faz a Feira. Que trabalho legal. Pude unir a percussão e o rock’n roll a lá Chico Science (olha a herança aí), só que utilizando a percussão baiana.

Nessa época da Zefirino, junto com meu irmão Citnes, meu parceiro de percussão durante alguns anos na Balaiada, colocamos em prática um projeto chamado Salsa e Cebolinha que me deixou mais uma herança maravilhosa, a música caribenha e Gerônimo, com uma salsa baiana de altíssima qualidade.

Em 2001, depois que me formei, passei um tempo sem tocar… todos os projetos nos quais estava engajado caíram por terra. Formado, sem dinheiro e sem alternativas fui trabalhar pela primeira e única vez fora da música na loja de esportes Sport Brazil, do meu mestre de capoeira e amigo Balão. De lá, me apareceu a oportunidade de tocar com uns loucos que comiam água e ficavam de sunga por aí… viajei uma grande parte do país com Os Sungas, talvez essa fosse a maior herança mas, ao gravar na WR por diversas vezes, fui despertado para a produção musical e a partir daí investí um bom tempo e um certo dinheiro no áudio. Também aprendi que os detalhes eram importantes e isso mudou a minha maneira de compor. Convivi com amigos (Jaime, Batata e Anderson) que me mostraram coisas muito legais e também influenciaram na forma de tocar.

Ao sair de lá tive a oportunidade de tocar com pessoas bem legais, geralmente através de Citnes, como Saul Barbosa, Jussiara, Marcos Balena, etc. Aprendi sempre alguma coisa com todos eles.

Hoje em dia, paralelo ao mestrado, estou com a 20 Xote Um Galope e Os My Friend. Com a 20x conheci mais a fundo o “seu” Gonzaga e com os friends principalmente Jorge Ben. Pra que herança melhor?

Fico encucado porque tem umas coisas que não sei de onde vieram. Adoro Gonzaguinha e Bethânia. Sou extremamente fã de João Bosco e Gilberto Gil. De onde veio isso? Não acho em minha história quem me apontou esses caminhos…

É nessa colcha de retalhos que vivo minha música e minha vida.

2 comentários

  1. aí alexandregostei bastante desse teu textodespretenciosoe bastante auto etnográfico (ehehehehe)….parabéns e não deixa de escrever não, tá?beleza véiabraxxxxxxxxxxxxxxalto astral———————————————-parabénstudo de bom para vocêabraxxxxxxxxxxxxxxxalto astralhttp://somdoroque.blogspot.com/

  2. acredite que a herança que vc guarda contigo é tb tatuada nas mentes e corações dos que convivem com vc nesses períodos “eternizados” por ensaios, apresentações, gravações, conversas em mesa de bar, e etc. somos uma “grande família” meu brother, e a nossa herança não tem preço!abraçãoboquinha

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