LEM VII

2017-1

Conteúdo programático:

  1. Contraponto estrito a 2, 3 e 4 vozes.
  2. A missa polifônica – Renascença e Barroco.
  3. Análise de obras de Palestrina.
  4. O moteto

Cronograma

Essa é uma proposta de cronograma para o semestre. O conteúdo das aulas poderá ser modificado de acordo com a necessidade e eventualidade.

Maio

9 – Apresentação

11 – 1ª espécie

16 – Exercícios

18 – Exercícios

23 – 2ª espécie

25 – Exercícios

30 – Exercícios

Junho

1 – 3ª espécie

6 – Exercícios

8 – Avaliação 1

13 – 4ª espécie

15 – Exercícios

20 – Exercícios

22 – São João

27 – 5ª espécie

29 – Exercícios

Julho

4 – Exercícios

6 – Avaliação 2

11 – 5ª espécie (sem cantus firmus estático)

13 – Exercícios

18 – Exercícios

20 – Contraponto a 3 vozes

25 – Exercícios

27 – Exercícios

Agosto

1 –  Análise

3 – Exercícios

8 – Moteto

10 – Consulta para o trabalho final

15 – Consulta para o trabalho final

17 – Consulta para o trabalho final

22 – Consulta para o trabalho final

24 – Entrega do trabalho final

29 –

31 –

 

Contraponto a duas vozes (compilação para utilizarmos nas aulas)

Recomendações gerais

Procedimento:

  1. É melhor que cada linha seja um gesto integral — um movimento adiante, um subsequente recuo, um único clímax.
  2. Acidentes fora do modo não são permitidos. A única exceção são os sexto e sétimo graus das escalas menores que podem ser ascendidos para obter uma sensível no final do exercício.
  3. A tessitura total da linha não deve ser maior que uma décima.
  4. As notas do contraponto podem ser ligadas se necessário (como parte de um movimento oblíquo), mas somente uma ligadura deve aparecer em cada exercício.

Intervalos

  1. Os intervalos melódicos aceitáveis são segundas maiores e menores, terças, sextas, quartas quintas e oitavas justas.
  2. Não mais que dois saltos consecutivos são recomendados; a linha perde o senso melódico.
  3. Evite esboçar tríades através de terças consecutivas.
  4. Intervalos dissonantes de trítono e de sétima não devem ser esboçados pelos pontos limite de uma linha ascendente ou descendente.

Variedade

  1. Movimentos conjuntos são geralmente preferidos mas alguns pequenos e bem escolhidos saltos são necessários pela variedade.
  2. Saltos maiores que uma terça devem ser precedidos (se aplicável) e seguidos por graus conjuntos em direção oposta após um salto.

Equilíbrio

  1. Nenhuma nota deve aparecer mais de três vezes numa linha; os pontos alto e baixo são mais efetivos se aparecem apenas uma vez;
  2. Evite qualquer coisa que seja ouvido como uma repetição de padrão (ex. sequência, motivo, contorno).

1ª espécie (1×1):

  1. só são permitidas consonâncias perfeitas (uniss, oitavas e quintas) e imperfeitas (terças e sextas);
  2. as consonâncias perfeitas só podem ser alcançadas por movimento contrário ou oblíquo das vozes;
  3. as quartas são consideradas dissonâncias nesse estilo;
  4. evitar saltos melódicos consecutivos. Saltos de trítono e de sétima não são permitidos, assim como saltos maiores que uma sexta, com exceção da oitava. Evite saltos de sexta menor descendente;
  5. evitar saltos nas duas vozes ao mesmo tempo;
  6. Compensar saltos maiores que uma terça com movimento contrário por grau conjunto;
  7. evite esboçar tríades através de terças consecutivas;
  8. iniciar e terminar sempre com consonâncias perfeitas. Quintas para finalizar são raras;
  9. além dos inícios e finais, uníssonos são proibidos. Evitar oitavas na medida do possível;
  10. mantenha as duas vozes à, no máximo, uma décima de distância;
  11. não utilize terças ou sextas paralelas por mais de três vezes seguidas;
  12. evite as duas vozes saltando na mesma direção (quintas e oitavas diretas);
  13. use o máximo de movimento contrário possível. Ajuda a promover a independência das vozes;
  14. evite esboçar trítonos ou sétimas nas extremidades de uma linha melódica.
  15. evite mais de duas consonâncias perfeitas consecutivas.

2ª espécie (2×1 ou 3×1)

  1. nessa espécie são sempre duas notas contra uma (escritas em mínimas). O último compasso é uma semi-breve. O penúltimo também pode ser;
  2. os intervalos de início e de final devem ser os mesmos da primeira espécie;
  3. o tempo forte de cada compasso deve ser sempre uma consonância;
  4. tome cuidado com as quintas e oitavas diretas e paralelas entre os tempos fortes. Elas podem estar ocultas pelo movimento dos tempos fracos;
  5. Quintas e oitavas paralelas podem estar ocultas também entre dois tempos fracos. Recomenda-se, pelo menos, dois outros intervalos entre duas oitavas ou quintas;
  6. o contraponto deve preferencialmente ser iniciado com uma pausa de metade do tempo do cantus firmus;
  7. não use ligaduras nem notas repetidas nessa espécie;
  8. saltos são preferíveis dentro do compasso. Evite saltos na passagem dos compassos. Saltos maiores que uma terça devem ser compensados com movimento contrário por grau conjunto;
  9. uníssonos são permitidos (com parcimônia) nos tempos fracos;
  10. as dissonâncias devem ser alcançadas e deixadas por grau conjunto (notas de passagem);
  11. As bordaduras com dissonâncias são permitidas. Use-as com parcimônia pois tornam a melodia estática.

3ª espécie (4×1)

  1. Nessa espécie são quatro notas contra uma escritas em semínimas. O último compasso é uma semibreve. O penúltimo deve conter quatro notas sendo a última o 2º ou 7º graus do modo;
  2. Os intervalos dos primeiros tempos devem ser consonâncias (assim como nas primeira e segunda espécies). O contraponto não deve conter ligaduras nem notas repetidas;
  3. O começo pode ser no primeiro tempo ou após uma pausa de semínima;
  4. As dissonâncias são permitidas, como na segunda espécie, conectadas na entrada e na saída por graus conjuntos (notas de passagem e bordaduras). Como exceção, são permitidas a dupla bordadura e a nota cambiata;
  5. Uníssonos são permitidos em qualquer tempo a não ser o primeiro. Use, no máximo, um por compasso;
  6. Saltos são preferíveis dentro do compasso;
  7. Cuidado com as quintas e oitavas paralelas e diretas entre os tempos fortes.
  8. Cuidado com quintas e oitavas paralelas ocultas no meio do contraponto. Recomenda-se ter pelo menos dois outros intervalos entre duas quintas ou oitavas.

4ª espécie (suspensões)

  1. A proposta da quarta espécie é aprender a controlar as suspensões;
  2. O contraponto sempre começa na metade do primeiro compasso e termina com uma semibreve;
  3. Os intervalos de começo e final são os mesmos das outras espécies;
  4. É possível quebrar a cadeia de suspensões para obter uma melhor condução de vozes. Nesse caso, o contraponto é governado pela segunda espécie;
  5. A primeira nota ligada deve ser sempre consonante;
  6. Se a segunda nota ligada (suspensão) for consonante, o contraponto é guiado pela segunda espécie;
  7. Se a segunda nota ligada for dissonante, deve ser resolvida descendentemente por grau conjunto;
  8. Uníssonos devem ser evitados;
  9. A sétima (resolvendo na oitava) não pode ser usada como suspensão se o cantus firmus está na voz superior.

5ª espécie (florido):

  1. São válidas as regras de todas as espécies;
  2. Nunca use uma ligadura de um valor rítmico menor para um maior. No mínimo um valor igual;
  3. Nunca use uma ligadura a partir de uma semínima em posição fraca;
  4. As resoluções das suspensões devem durar ao menos dois tempos;
  5. Evite repetir padrões rítmicos. A variedade rítmica é bem-vinda;
  6. Use a primeira espécie apenas no início do contraponto;
  7. Comece as melodias com valores maiores e vá devagar acelerando;
  8. Explore a tessitura!

Uso das colcheias:

  1. Raramente!
  2. Em pares;
  3. Em posição fraca no compasso (no lugar da segunda ou quarta semínima);
  4. Sempre em grau conjunto como passagem ou bordadura inferior;
  5. Somente um par a cada conjunto de quatro semínimas;

Contraponto florido com Cantus Firmus variado

  1. Procure combinar valores de maior duração em uma voz com outros de menor duração na outra voz. Em resumo, quando uma voz está se movimentando a outra está mais parada;
  2. Quando acontecerem mínimas contra mínimas ou semínimas contra semínimas, trate-as como primeira espécie;
  3. Quando semínimas ocorrem contra mínimas, trate-as como segunda espécie;
  4. A nota que cria a dissonância na suspensão pode se mover por grau conjunto ou salto antes da resolução. Nesse caso, para uma outra consonância. Consonâncias perfeitas por movimento direto são proibidas. A resolução deve continuar a ser feita por grau conjunto descendente.

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Contraponto a três vozes:

  1. Continuam válidas, a priori, todas as regras anteriores;
  2. Podem ser consideradas consonâncias as quartas justa e aumentada e a quinta diminuta entre as vozes superiores. Entre qualquer uma delas e a inferior continuam proibidas;
  3. Quintas e oitavas diretas são permitidas envolvendo a voz intermediária e uma das extremas. Entre as extremas continuam proibidas;
  4. Oitavas diretas entre as vozes extremas são permitidas somente entre a penúltima e a última semibreve do cantus firmus;
  5. É admissível (moderadamente) o uníssono entre duas vozes. Entre três vozes somente no início ou final;
  6. É possível iniciar e finalizar com qualquer combinação de notas consonantes: ex.: 1-8-3, 1-3-5, 1-3-6, etc… Note que 1-5-6 não é possível pela segunda entre o 5 e o 6;
  7. As sensíveis não devem ser dobradas, principalmente na cadência final e quando estão elevadas nos modos menores;
  8. A distância entre as vozes superiores não deve ser maior que uma oitava. Entre a voz intermediária e a inferior pode ser de até uma décima segunda;
  9. A nota final na voz inferior pode ser alcançada por salto de quarta ascendente ou quinta descendente. No entanto, é aconselhável ser alcançada sempre por grau conjunto.

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Moteto – trabalho final

  • Pequeno moteto a 3 vozes;
  • Texto livre;
  • Tema (sujeito, motivo) (2 a 4 compassos) – o tema deve ser apresentado em uma voz e em seguida imitado nas outras. Após a sequência de imitações, segue-se uma parte de, no mínimo, 4 compassos de contraponto livre conduzindo para a cadência;
  • Devem haver outras duas partes como essa. Cada uma começando em uma voz diferente com sequências de entradas diferentes. Os temas subsequentes devem ser variações do tema inicial. A última entrada pode ser com o mesmo tema mas com entrada de vozes diferente da inicial e imitações em graus diferentes;
  • Deve haver uma parte predominantemente homofônica (homorítmica).

 

Algumas instruções:

Colocação do texto (Koellreutter):

  1. Valores com duração maior que a semínima podem receber sílabas separadas (estilo silábico);
  2. Em grupos de valores diferentes pode haver uma só sílaba (estilo melismático);
  3. A semínima pode ser portadora de sílaba quando seguida de um grupo de semínimas;
  4. Cada nota repetida deve receber uma nova sílaba;
  5. À medida do possível, os acentos tônicos das palavras devem coincidir com os tempos principais;
  6. Sílabas tônicas tendem a receber melísmas longos;
  7. As imitações (respostas) reproduzem literalmente a colocação do texto na proposta (sujeito);
  8. Cada verso do texto deve concluir com uma cadência melódica claramente articulada.

Imitação:

  1. O início da composição consiste na apresentação de uma proposta (tema, sujeito, motivo) em uma das vozes e na reprodução da mesma em todas as outras vozes;
  2. A proposta deve ser concisa e aperiódica;
  3. A resposta (ou imitação) pode ser iniciada em  qualquer grau da escala, preferencialmente na quinta superior, quarta inferior ou oitava;
  4. A entrada da resposta é preferencialmente consonante. Pode ser dissonante quando a nota da proposta estiver ligada à nota precedente e for resolvida por grau conjunto;
  5. A imitação pode ser rigorosa, quando os intervalos são imitados idênticos, ou livre, quando intervalos da resposta são um pouco modificados mas ainda mantém as características da proposta.

Sugestão de esquema de procedimento:

  1. Compor a proposta a ser apresentada em qualquer uma das vozes;
  2. Fazer a imitação em uma das vozes;
  3. Compor o contraponto da primeira imitação;
  4. Fazer a imitação na outra voz;
  5. Compor o contraponto (a 3 vozes) da segunda imitação;
  6. Compor um trecho livre levando à cadência de frase;
  7. Compor o contraponto (a 3 vozes) do trecho livre.;
  8. Reiniciar o processo.

 

Bibliografia:

Koellreutter, H. J. Contraponto Modal do Séc. XVI (Palestrina). 1996, Brasília, DF. Musimed Editora.

Schoenberg, Arnold. Preliminary Exercises in Counterpoint. 1969. NY, ST. Martin’s Press.

Schubert, Peter. Modal Counterpoint Renaissance Style. 1999. NY, Oxford University Press.

Zbikowski, Lawrence. Guidelines for Species Counterpoint. http://humanities.uchicago.edu/classes/zbikowski/species.html#cantus. Acessado em 11 de maio de 2017.

2 Comentários

  1. Prof! E as regras para 5ª espécie?

    1. São todas as das outras. Tem algumas restrições mas só coloquei no quadro. Procure ver com algum colega que anotou.

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